Dr. Acir Novaczyk — Cirurgião Ginecológico

Cirurgia de Endometriose

Tratamento cirúrgico individualizado para uma doença que pode apresentar diferentes graus de complexidade

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Essas lesões podem provocar inflamação, aderências e alterações nos órgãos e estruturas da pelve, causando sintomas que variam significativamente de uma mulher para outra.

Dor pélvica, cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias relacionadas ao período menstrual e dificuldade para engravidar estão entre as manifestações que podem estar associadas à doença.

Nem toda paciente com endometriose precisa de cirurgia. O tratamento deve ser individualizado e pode envolver acompanhamento clínico, medicamentos e, em situações selecionadas, tratamento cirúrgico.

Quando a cirurgia pode ser indicada?

A decisão de operar depende de diversos fatores, como intensidade dos sintomas, localização e extensão das lesões, resposta aos tratamentos anteriores, comprometimento de órgãos e estruturas próximas e objetivos reprodutivos da paciente.

A cirurgia pode ser considerada, entre outras situações, quando há:

  • dor persistente ou importante apesar do tratamento clínico;
  • comprometimento anatômico causado pela doença;
  • endometriomas, que são cistos ovarianos relacionados à endometriose, em casos selecionados;
  • suspeita ou diagnóstico de endometriose profunda;
  • comprometimento intestinal, urinário ou de outras estruturas;
  • determinadas situações relacionadas à infertilidade;
  • necessidade de tratamento cirúrgico após avaliação especializada.

A indicação deve considerar não apenas a presença das lesões, mas o impacto da doença na saúde e na qualidade de vida da paciente.

Como é realizada a cirurgia de endometriose?

Quando existe indicação cirúrgica, o objetivo é identificar e tratar as lesões de endometriose e liberar aderências, buscando preservar estruturas saudáveis e a função dos órgãos sempre que possível.

Grande parte dessas cirurgias pode ser realizada por técnicas minimamente invasivas, como a videolaparoscopia e, em casos selecionados, a cirurgia robótica.

Essas abordagens proporcionam visão ampliada do campo cirúrgico e permitem trabalhar com precisão em uma região anatômica que reúne órgãos, vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas importantes.

A estratégia cirúrgica é definida de acordo com o mapeamento da doença e as características individuais de cada caso.

Endometriose profunda

Quando a doença ultrapassa as lesões superficiais

A endometriose profunda é uma forma da doença em que as lesões infiltram os tecidos em maior profundidade. Dependendo de sua localização e extensão, podem envolver estruturas como ligamentos pélvicos, região posterior ao útero, vagina, intestino, bexiga e ureteres.

Isso não significa que toda paciente com endometriose profunda apresentará comprometimento de vários órgãos. A doença pode ter diferentes localizações e extensões, razão pela qual o diagnóstico e o planejamento individualizado são fundamentais.

Entre os sintomas que podem estar relacionados à endometriose profunda estão dor pélvica intensa, cólicas menstruais importantes, dor profunda durante as relações sexuais, dor para evacuar ou urinar — especialmente durante o período menstrual — e alterações intestinais cíclicas.

Por que a cirurgia da endometriose profunda exige planejamento?

A pelve feminina reúne diferentes órgãos e estruturas em um espaço anatômico relativamente pequeno. Quando a endometriose profunda compromete regiões próximas ao intestino, bexiga, ureteres, vasos ou nervos, a cirurgia pode apresentar maior complexidade.

Por isso, antes do procedimento, é importante realizar uma avaliação detalhada da extensão e localização das lesões. Exames de imagem específicos podem contribuir para o mapeamento da endometriose e para o planejamento da estratégia cirúrgica.

Nos casos em que existe comprometimento de outros órgãos, o tratamento também pode exigir uma abordagem multidisciplinar, com participação de profissionais de outras especialidades conforme a necessidade identificada previamente ou durante o planejamento.

Precisão na cirurgia minimamente invasiva

A videolaparoscopia e a cirurgia robótica são recursos que podem ser utilizados no tratamento da endometriose profunda quando há indicação.

A visão ampliada e o acesso minimamente invasivo favorecem a identificação das lesões e das estruturas anatômicas próximas. Em determinadas cirurgias de maior complexidade, os recursos de articulação e visualização tridimensional da plataforma robótica também podem auxiliar o trabalho do cirurgião.

A escolha entre videolaparoscopia, cirurgia robótica ou outra abordagem deve ser baseada nas características da doença e da paciente — e não apenas na disponibilidade de determinada tecnologia.

Preservação e planejamento reprodutivo

A endometriose pode afetar mulheres em diferentes momentos da vida e, para algumas pacientes, a preservação da fertilidade é uma preocupação importante.

Quando há indicação cirúrgica, fatores como idade, reserva ovariana, localização das lesões, presença de endometriomas e desejo de gestação precisam ser considerados no planejamento.

O objetivo não é simplesmente “retirar a endometriose”, mas estabelecer uma estratégia de tratamento que considere controle dos sintomas, extensão da doença, preservação dos órgãos e projetos reprodutivos da paciente.

Como é a recuperação?

O período de recuperação depende diretamente da extensão e da complexidade da cirurgia. Procedimentos mais localizados e cirurgias para endometriose profunda com comprometimento de outros órgãos podem ter pós-operatórios bastante diferentes.

Tempo de internação, retorno às atividades, alimentação, atividade física e demais cuidados são definidos individualmente.

O acompanhamento após a cirurgia também é parte do tratamento da endometriose. Por se tratar de uma doença crônica, a paciente pode necessitar de acompanhamento ginecológico e de outras estratégias terapêuticas mesmo após o procedimento.

Cada endometriose exige uma estratégia

Não existe uma única cirurgia adequada para todas as mulheres com endometriose.

O diagnóstico preciso e o mapeamento da doença permitem compreender onde estão as lesões, quais estruturas estão comprometidas e qual é a melhor estratégia para tratá-las.

Especialmente nos casos de endometriose profunda, planejamento cirúrgico, domínio das técnicas minimamente invasivas e avaliação individualizada são fundamentais para a condução do tratamento.