Dr. Acir Novaczyk — Cirurgião Ginecológico

Malformações Uterinas

O que são malformações uterinas?

As malformações uterinas, também chamadas de anomalias congênitas do útero, são alterações na formação do aparelho reprodutor feminino que se desenvolvem ainda durante a vida embrionária.

Elas podem modificar o formato externo do útero, sua cavidade interna ou ambos. Algumas são discretas e nunca provocam sintomas, enquanto outras podem estar relacionadas a dificuldades reprodutivas ou complicações durante a gestação.

Por isso, identificar uma malformação não significa, necessariamente, que exista uma doença que precise ser tratada.

Como elas se formam?

Durante o desenvolvimento embrionário, estruturas chamadas ductos de Müller dão origem a importantes partes do aparelho reprodutor feminino. Para que o útero adquira sua anatomia habitual, essas estruturas precisam se desenvolver, unir e passar por um processo de remodelação.

Alterações em alguma dessas etapas podem resultar em diferentes configurações anatômicas do útero.

Por serem congênitas, essas alterações estão presentes desde o nascimento, embora muitas mulheres só descubram sua existência na vida adulta.

Quais são os principais tipos?

Existem diferentes tipos de malformações uterinas. Entre elas estão o útero septado, no qual uma parede de tecido divide parcial ou completamente a cavidade uterina; o útero bicorno, caracterizado por uma divisão mais acentuada da parte superior do útero; o útero unicorno, decorrente do desenvolvimento incompleto de um dos lados; e alterações mais complexas, como o útero didelfo, em que ocorre duplicação uterina.

Distinguir corretamente essas alterações é fundamental porque elas possuem características, repercussões e possibilidades de tratamento diferentes.

Quais sintomas podem ocorrer?

Muitas mulheres com malformações uterinas não apresentam sintomas e podem descobrir a alteração incidentalmente durante um exame ginecológico ou investigação realizada por outro motivo.

Dependendo do tipo de anomalia, podem ocorrer alterações menstruais e dor pélvica, especialmente quando existe alguma obstrução ao fluxo menstrual.

Algumas malformações podem estar associadas a infertilidade, perdas gestacionais recorrentes, parto prematuro ou alterações na posição do bebê durante a gestação. Entretanto, a repercussão varia significativamente de acordo com o tipo de alteração e com cada paciente.

Como é feito o diagnóstico?

A identificação precisa da anatomia uterina é uma etapa essencial antes de qualquer decisão terapêutica.

A investigação pode envolver ultrassonografia, especialmente tridimensional, e ressonância magnética, conforme o caso. A histeroscopia permite visualizar diretamente o interior da cavidade uterina e pode ter papel importante em situações específicas.

Mais do que simplesmente constatar que o útero apresenta um formato diferente, é necessário determinar qual é o tipo de malformação e qual sua possível relação com os sintomas ou histórico reprodutivo da paciente.

Toda malformação uterina precisa de cirurgia?

Não.

Muitas mulheres não necessitam de qualquer intervenção e podem permanecer apenas em acompanhamento. A existência de uma alteração anatômica, isoladamente, não determina indicação cirúrgica.

A decisão considera o tipo de malformação, sintomas, histórico obstétrico e reprodutivo, exames realizados, desejo de gestação e possíveis benefícios e riscos do tratamento.

Quando existe possibilidade de tratamento cirúrgico?

Algumas malformações podem ser tratadas cirurgicamente em situações selecionadas.

Um exemplo importante é o septo uterino. Quando existe indicação de correção, ele pode ser abordado por histeroscopia cirúrgica, procedimento realizado pelo canal vaginal e pelo colo do útero, sem necessidade de incisões no abdome.

Por meio de uma óptica introduzida na cavidade uterina, o cirurgião visualiza o septo e pode realizar sua correção utilizando instrumentos específicos.

Outras malformações apresentam características diferentes e nem sempre possuem indicação ou benefício com tratamento cirúrgico. Por isso, o diagnóstico anatômico correto é decisivo antes de propor qualquer procedimento.

Cirurgia minimamente invasiva e planejamento individualizado

Quando há indicação cirúrgica, a escolha da técnica depende da alteração encontrada. Histeroscopia, videolaparoscopia ou a combinação de diferentes métodos podem fazer parte do planejamento em casos selecionados.

O objetivo não é fazer com que todo útero tenha uma anatomia considerada “padrão”, mas tratar situações em que determinada alteração esteja associada a repercussões clínicas ou reprodutivas e nas quais exista benefício esperado com a intervenção.

A decisão é individualizada, construída a partir do diagnóstico, dos exames, do histórico da paciente e de seus objetivos, com discussão prévia sobre possibilidades, benefícios, limitações e riscos do tratamento.