Dor Pélvica Crônica
Quando a dor deixa de ser apenas um sintoma passageiro
A dor pélvica crônica é uma dor persistente ou recorrente localizada na região inferior do abdome e da pelve. Em geral, considera-se crônica quando permanece por seis meses ou mais, podendo ser contínua ou aparecer em determinados períodos, como durante a menstruação, relações sexuais, atividade física, evacuação ou ao urinar.
Ela pode interferir de maneira importante na rotina, no sono, na vida sexual, no trabalho e na qualidade de vida da mulher.
O que pode causar dor pélvica crônica?
Não existe uma única causa. A investigação pode revelar condições ginecológicas como endometriose, adenomiose, aderências pélvicas, miomas e outras alterações dos órgãos reprodutivos.
Em outros casos, a origem pode estar relacionada ao trato urinário, intestino, musculatura e assoalho pélvico ou aos próprios mecanismos de processamento da dor. Mais de um fator pode estar presente ao mesmo tempo, razão pela qual uma avaliação ampla é importante.
Como é feita a investigação?
A avaliação começa pela história clínica detalhada: onde dói, há quanto tempo, intensidade, relação com o ciclo menstrual e presença de outros sintomas.
O exame físico e ginecológico é complementado, quando necessário, por exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, escolhidos de acordo com a suspeita clínica.
Na investigação da endometriose, por exemplo, os exames de imagem atualmente permitem identificar e mapear muitas lesões antes da cirurgia. Por isso, a videolaparoscopia não deve ser utilizada de forma indiscriminada apenas para descobrir a origem da dor.
Dor pélvica crônica pode precisar de cirurgia?
Pode, mas não necessariamente.
A cirurgia é considerada quando a investigação identifica uma alteração ginecológica que possa ser tratada cirurgicamente e quando essa abordagem é adequada para aquela paciente.
Endometriose, determinadas alterações ovarianas, adenomiose em situações selecionadas e outras doenças pélvicas podem fazer parte desse cenário. A simples presença de dor, entretanto, não significa que exista indicação cirúrgica.
Quando entra a cirurgia minimamente invasiva?
Quando existe indicação cirúrgica, procedimentos por videolaparoscopia ou, em casos selecionados, cirurgia robótica podem permitir o acesso à pelve por pequenas incisões.
O objetivo da cirurgia não é simplesmente “tratar a dor”, mas atuar sobre a doença ou alteração identificada como possível origem dos sintomas.
O procedimento a ser realizado depende do diagnóstico. Na endometriose, por exemplo, pode envolver a abordagem das lesões e a restauração da anatomia pélvica quando necessário.
Uma decisão construída com a paciente
Na dor pélvica crônica, tão importante quanto dominar a técnica cirúrgica é saber quando existe indicação para utilizá-la.
A decisão deve considerar os sintomas, os achados dos exames, tratamentos anteriores, extensão da doença, idade, desejo reprodutivo, possíveis benefícios e riscos da intervenção e as expectativas da própria paciente.
Por isso, quando a cirurgia é uma possibilidade, o planejamento é individualizado e discutido entre médico e paciente, buscando a estratégia mais adequada para cada caso.