Aderências Pélvicas
O que são aderências pélvicas?
Aderências pélvicas são faixas de tecido cicatricial que podem se formar dentro da pelve e fazer com que estruturas que normalmente se movimentariam livremente fiquem unidas entre si.
Elas podem envolver o útero, ovários, tubas uterinas, intestino, bexiga e outras estruturas próximas. A extensão é bastante variável: algumas aderências são finas e localizadas, enquanto outras podem ser mais densas e modificar a anatomia da região pélvica.
Por que as aderências se formam?
As aderências surgem como consequência de um processo de cicatrização e podem estar relacionadas principalmente a cirurgias abdominais ou pélvicas anteriores, endometriose, processos inflamatórios e infecções na região pélvica.
A endometriose merece atenção especial porque a inflamação provocada pela doença pode favorecer a formação de aderências e, em casos mais avançados, alterar significativamente a anatomia da pelve.
Quais sintomas podem provocar?
Muitas mulheres apresentam aderências sem qualquer sintoma. Quando existem manifestações, uma das principais é a dor pélvica, que pode ser persistente ou recorrente.
Dependendo da localização e das estruturas envolvidas, podem ocorrer dor durante a relação sexual, desconforto abdominal e alterações relacionadas ao funcionamento intestinal. Quando as aderências comprometem as tubas uterinas ou modificam a anatomia dos órgãos reprodutivos, podem estar associadas a dificuldades para engravidar.
Entretanto, encontrar uma aderência não significa necessariamente que ela seja a causa da dor. Essa relação precisa ser avaliada individualmente.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa pela história clínica, sintomas, exame ginecológico e antecedentes da paciente, especialmente cirurgias anteriores, endometriose ou processos inflamatórios.
Exames de imagem, como ultrassonografia especializada e ressonância magnética, podem fornecer informações importantes e identificar doenças associadas. Entretanto, algumas aderências são difíceis de visualizar diretamente nos exames.
Por isso, a avaliação conjunta de sintomas, exame físico e achados de imagem é fundamental para definir a conduta.
Toda aderência pélvica precisa ser tratada?
Não. A presença de aderências sem sintomas ou repercussões importantes não significa, por si só, necessidade de cirurgia.
A indicação de tratamento depende da intensidade dos sintomas, da provável relação entre as aderências e as queixas da paciente, das doenças associadas, de tratamentos realizados anteriormente e dos possíveis benefícios e riscos de uma intervenção.
Quando a cirurgia pode ser considerada?
Em casos selecionados, pode ser indicada uma cirurgia para liberação das aderências, procedimento chamado de adesiólise.
Quando apropriada, a videolaparoscopia permite acessar a cavidade abdominal e pélvica por pequenas incisões, visualizar diretamente as estruturas e liberar cuidadosamente as aderências identificadas.
Se houver uma doença associada, como endometriose, o planejamento cirúrgico pode contemplar o tratamento das alterações encontradas no mesmo procedimento, conforme cada caso.
Cirurgia minimamente invasiva e planejamento
A cirurgia de aderências pode exigir atenção especial porque órgãos e tecidos que normalmente estariam separados podem estar unidos ou ter sua posição anatômica modificada.
Por isso, o planejamento deve considerar onde estão as aderências, quais estruturas estão envolvidas, cirurgias anteriores e a presença de outras doenças pélvicas.
Mesmo após a liberação cirúrgica, novas aderências podem se formar durante o processo natural de cicatrização. Esse risco faz parte da avaliação antes da indicação do procedimento.
A decisão deve ser individualizada
O objetivo não é simplesmente identificar uma aderência e retirá-la. É compreender se aquela alteração está relacionada aos sintomas ou a outras repercussões e avaliar se uma intervenção pode trazer benefício para a paciente.
Quando existe possibilidade de tratamento cirúrgico, a decisão deve ser tomada após avaliação dos exames, diagnóstico, histórico clínico, expectativas da paciente e discussão dos benefícios, limitações e riscos de cada alternativa.
Assim, a cirurgia minimamente invasiva é uma possibilidade dentro de um planejamento individualizado — e não uma indicação automática pela simples presença de aderências.